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Participação de Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, mobiliza 1 milhão de tuítes em pouco mais de 36 horas

Atualizado em 22 de setembro, 2021 às 4:02 pm

  • Na parte do debate no Twitter que acontece fora do Brasil, maioria dos perfis critica a escolha do presidente de não tomar a vacina contra Covid-19 e de não usar máscara, destacando que ele precisou jantar do lado de fora de uma pizzaria;
  • Orbitando perfis conservadores de países hispanofalantes, grupo estrangeiro de apoio a Bolsonaro cita o presidente brasileiro como um nome importante na luta contra a obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19;
  • No Facebook, imagem de Bolsonaro comendo pizza na rua é abordada criticamente por páginas estrangeiras, mas ajuda a divulgar a figura do presidente do Brasil com negacionistas de outros países, que o defenderam em comentários dessas publicações.

Evolução do debate geral sobre a participação de Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU, no Twitter
Período: das 0h de 20 de setembro às 15h de setembro de 2021

Fonte: Twitter

A participação de Jair Bolsonaro (sem partido) na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) tem aquecido as redes sociais desde a sua chegada em Nova York, cidade que sedia o evento, na noite de domingo (19). Entre o dia 20 e as 15h de 21 de setembro de 2021, foram identificadas 1,02 milhão de postagens no Twitter relativas ao tema, de acordo com um estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas. Momento de maior mobilização na plataforma ‒ em que o debate alcançou 146,3 mil menções ‒ aconteceu às 11h de terça (21), enquanto o presidente discursava na cerimônia de abertura da Assembleia. Opiniões sobre a presença e a postura de Bolsonaro no evento ficaram divididas: além da hashtag #bolsonarovergonhadobrasil, que aparece em 59,9 mil postagens, destacam-se como principais indexadores #bolsonaroun2021, em 28,5 mil postagens, e #bolsonaroorgulhodobrasil, em 13,5 mil.

Mapa de interações do debate estrangeiro sobre a participação de Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU, no Twitter
Período: das 0h de 20 de setembro às 15h de setembro de 2021

Fonte: Twitter

*As porcentagens de perfis e interações foram calculadas em relação aos quatro conjuntos identificados como internacionais.

Análise de Grupos

Laranja ‒ 15,9% dos perfis | 15,5% das interações
Mobilizado por perfis norte-americanos que se declaram em defesa da democracia, o grupo destaca o fato de que, por restrições sanitárias da cidade de Nova York, Jair Bolsonaro ‒ que ainda não foi vacinado contra a Covid-19 e não costuma usar máscara ‒ precisou entrar no hotel em que está hospedado pela porta dos fundos e jantar em pé, do lado de fora de uma pizzaria. Na ocasião, postagens classificam o presidente brasileiro como sendo trumpista, antivacina e, até mesmo, um ditador.

Roxo ‒ 33,1% dos perfis | 34,2% das interações
Grupo que orbita perfis conservadores de países hispanofalantes celebra a chegada de Jair Bolsonaro em Nova York, salientando que o presidente brasileiro é um nome importante do conservadorismo latinoamericano e da luta contra a obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19. Postagens destacam, ainda, um episódio em que Bolsonaro estaria almoçando em um ‘fast food’ em Nova York, enquanto líderes comunistas preferem frequentar restaurantes luxuosos na cidade.

Rosa ‒ 44,2% dos perfis | 43,5% das interações
Recuperando uma postagem de 2018 da cantora norte-americana Cher, em que chama Jair Bolsonaro de ‘porco’ (sic), grupo ‒ que conta com canais de mídia dos Estados Unidos, perfis brasileiros e do prefeito de Nova York ‒ ironiza o fato de o presidente brasileiro ainda não ter sido vacinado contra a Covid-19 e manifesta repúdio, em tom bastante duro, contra os seus comportamentos na cidade e o seu discurso na cerimônia de abertura do evento.

Verde claro ‒ 6,8% dos perfis | 6,7% das interações
Com perfis hispanofalantes críticos a Jair Bolsonaro, grupo insinua que presidente brasileiro é um risco para a saúde dos participantes da Assembleia Geral da ONU e, até mesmo, para dos cidadãos novaiorquinos, destacando que, por não estar vacinado, ele precisou jantar do lado de fora de um restaurante e que o microfone usado por ele durante seu discurso na cerimônia de abertura do evento precisou ser desinfectado.

Facebook

No Facebook, foi realizada uma busca que teve o objetivo de explorar a recepção da viagem de Bolsonaro à ONU em páginas públicas estrangeiras. Foram coletadas 925 publicações publicadas em páginas de 76 países diferentes que geraram 50,2 mil interações de 0h do dia 20 às 15h de 21 de setembro.

Mapa de engajamento por nacionalidade de páginas públicas estrangeiras, no Facebook
Período: das 0h de 20 de setembro às 15h de setembro de 2021

Fonte: Facebook

Os perfis de Comunicação destacam-se com forte engajamento no Facebook, dentre eles destacam-se as páginas do The New York Times, UK Prime Minister e DW Español. A página do jornal norte-americano, The New York Times, veicula um link que evidencia o presidente brasileiro minimizando a pandemia da Covid-19, defendendo fármacos sem comprovação científica e, ainda, salienta o fato de Jair Bolsonaro não ter sido vacinado. A página oficial do Primeiro Ministro britânico, UK Prime Minister, exibe fotografias de encontros com o presidente Jair Bolsonaro do Brasil, presidente Moon Jae-in da República da Coreia, o fundador da Amazon.com, Jeff Bezos, e Martin Griffiths, Subsecretário-Geral dos Assuntos Humanitários, United Nations OCHA. Já a página DW Español cujo conteúdo está em espanhol, mas pertence a um jornal alemão, o Deutsche Welle, repercute o fato do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ser impedido de consumir uma pizza dentro do estabelecimento por não ter tomado vacina, não apresentar teste negativo para a Covid-19, nem fazer uso de máscaras.

Nos comentários das principais publicações observam-se, junto às críticas, mensagens de apoio a Jair Bolsonaro, com a reprodução de argumentos que vão desde a negação da existência e gravidade do vírus, até discursos que acusam governos de violarem o direito dos cidadãos ao criarem normas que obrigam a vacinação da população.

*Para essa análise, foram utilizados dois filtros: i) a exclusão de páginas cuja a nacionalidade dos administradores é o Brasil; ii) um filtro linguístico que exclui publicações em língua portuguesa. O meio de coleta contempla páginas que possuem acima de 50 mil curtidas além de outras, com menor tamanho, incluídas pela comunidade de pesquisadores.

 

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