06 out

O wiphalaço no Twitter

Por Bolivia Verifica | Bolívia

Por Isabel Mercado

Atualizado em 18 de outubro, 2021 às 10:24 am

Quase 30 mil tuítes foram compartilhados sobre o tema em dois momentos chave: depois dos atos do aniversário de Santa Cruz e quando o governo da cidade voltou a retirar a bandeira imposta pelo MAS.

Houve tendências de opinião em defesa da wiphala como símbolo nacional, mas também opiniões adversas, que afirmam se tratar de uma bandeira política com pouco valor histórico ou nacional, foram desenvolvidas na última semana na Bolívia e alimentaram a polarização que o país vive no meio do conflito de narrativas sobre os eventos da crise política de 2019.

Contexto do tema

Como se já não houvesse motivos suficientes para a polarização na Bolívia, gerou-se agora um evidente confronto entre os setores sociais que apóiam o governo e aqueles que se opõem a ele com base na wiphala, bandeira que representa os povos indígenas da Bolívia.

Na verdade, a importância desta bandeira como símbolo nacional é bastante recente e coincide com a presença do Movimento ao Socialismo (MAS) e de seu líder Evo Morales no poder. Antes de 2006 – ano em que Evo Morales iniciou seu primeiro mandato –, a bandeira era um símbolo relacionado a alguns povos indígenas do oeste da Bolívia e em algumas regiões da América do Sul. Porém, a partir da aprovação de uma nova Constituição Política do Estado na Bolívia (2009), a bandeira foi incluída entre os símbolos nacionais.

De acordo com o artigo 6º, inciso II da Constituição Política do Estado, “os símbolos do Estado são a bandeira tricolor vermelha, amarela e verde; o hino boliviano; o escudo de armas; a wiphala; o cocar; a flor da kantuta e a flor do patujú”.

A introdução de diversos símbolos na Carta Magna se deve ao reconhecimento da diversidade de culturas e povos indígenas existentes na Bolívia, entendendo-se que o conceito de nação, como unidade homogênea, foi superado pelo curso da história.

No entanto, o MAS elevou a wiphala praticamente ao nível de emblema de seu partido, o que fez com que os setores que se opõe a ele considerassem que a wiphala não os representava, gerando um debate a respeito de sua legitimidade como símbolo nacional da Bolívia.

No entanto, a wiphala é realmente parte da identidade dos povos indígenas, especialmente no oeste da Bolívia, e é respeitada em praticamente todo o território nacional.

Por que a wiphala está sendo debatida

Durante os eventos do aniversário de Santa Cruz, o governo preparou uma programação que incluía o hasteamento da bandeira tricolor e da bandeira de Santa Cruz, mas não a wiphala. Também não foi dada a palavra ao vice-presidente do Estado, David Choquehuanca, que atuou como presidente interino devido à ausência do presidente Luis Arce no país.

Por sua vez, David Choquehuanca sobrepôs a bandeira wiphala à tricolor e levantou as duas ao mesmo tempo. Quase imediatamente, dois membros da assembleia de Santa Cruz tiraram a wiphala, dobraram e entregaram a um oficial militar.

Este ato gerou enorme indignação no MAS e nas principais autoridades governamentais, além do ex-presidente Evo Morales, que acusou as autoridades de Santa Cruz de racismo e discriminação, julgando suas atitudes e promovendo ações de reparação à bandeira indígena.

Metodologia

Este trabalho foi realizado monitorando os tuítes postados entre sexta-feira, 24 de setembro, a quinta-feira, 30 de setembro de 2021, as datas em que o debate sobre este tópico se tornou viral.

As ferramentas Newswhip, Trendsmap e Gephi foram utilizadas para coletar os dados, compará-los e analisar os resultados. As hashtags #wiphala e #whipala foram usados ​​para esta pesquisa, já que ambos os termos foram usados ​​indistintamente.

Palavras mais repetidas acompanhando o termo wiphala

Símbolo, pueblos (povos) e racismo foram as palavras mais usadas nos tuítes compartilhados entre 24 e 30 de setembro.

As três palavras também expressam as tendências que se enfrentaram a respeito do assunto, uma vez que a polarização ocorreu entre aqueles que defendiam o valor e a importância da wiphala como símbolo dos povos indígenas, exigindo sanções contra o racismo e a discriminação, contra aqueles que supostamente a desrespeitaram.

Hashtags mais usadas

As hashtags mais utilizadas nas redes sociais foram #bolivia, #santacruz, #wiphala, #lawiphalaserespeta (a wiphala deve ser respeitada), que também representam as tendências de opinião sobre o assunto. As hashtags tiveram diferentes utilizações, podendo ser instrumentos de mobilização, visibilidade, viralização, entre outros. Neste caso, a hashtag #Bolivia parece ter sido usada como instrumento de visibilidade.

A quantidade de tuítes gerados sobre o assunto no período estudado chegou a quase 30 mil. A respeito da origem desses tuítes, Argentina e Venezuela também registram alto tráfego, embora a Bolívia tenha sido o país que concentrou a maior quantidade de tuítes e retuítes. 28% dos tuítes foram gerados na Bolívia, 14% na Venezuela e o restante em vários outros países. No entanto, deve-se notar que as ferramentas de geolocalização não são tão precisas quanto as outras. Esse problema ocorre porque apenas uma pequena parte dos usuários ativa a função de geolocalização.

  • Quase 30 mil tuítes principalmente de 3 países (Bolívia, Argentina e Venezuela).

Tuítes de maior impacto

  • Mais retuitados:

Os tuítes mais compartilhados e de maior impacto incluíram o de Evo Morales, no qual ele defendeu a “reparação” da wiphala e seu valor como símbolo nacional, e um tuíte do presidente da Bolívia, Luis Arce Catacora, que defendeu a bandeira como um símbolo de unidade, não de divisão.

  • Mais comentados:

Os tuítes que receberam mais comentários foram os do advogado Freddy Camacho, da rádio pró-governo Patria Nueva, do colunista Antonio Saravia e de uma conta de Emmanuel.ao. Em três destas contas – exceto na da rede Patria Nueva –, as opiniões foram críticas contra o MAS por seu uso político deste símbolo.

No entanto, usando o filtro Gephi, identificamos as contas dos 10 atores mais influentes neste debate: A de Evo Morales @evoespueblo; @KawsachunCoca; @MyBolivia; @luchoxBolivia; @grupoeldeber; Imilla Qhalincha (@mlleqhalincha); @chichisiles; @lostiemposbol, @noticiasfides e @carlosdmesag.

Dentre estas contas, cinco apóiam a posição do governo, três são meios de comunicação e duas são de políticos da oposição.

Considerando os dados obtidos no TrendsMap, o Gephi indicou que a conta mais influente no debate sobre a wiphala no Twitter foi a de Evo Morales:

*A Sala de Democracia Digital é uma ação da FGV DAPP, em parceria com Animal Político, no México, Bolivia Verifica, na Bolívia, Confidencial, na Nicarágua, Chequeado, na Argentina, Espacio Público, no Chile, Linterna Verde, na Colômbia, e Ojo Público, no Peru. Nós monitoramos o debate público nas redes sociais pela América Latina.

A análise original está disponível no site do Bolivia Verifica aqui.

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