17 mar

O ônus da crise: reajuste de combustíveis coloca governo na defensiva

Atualizado em 7 de abril, 2022 às 7:46 pm

  • Reajuste coloca os temas economia e infraestrutura no topo do debate sobre as eleições de 2022;
  • Debate sobre o aumento extrapola os efeitos econômicos para cidadãos e reacende debate sobre papel público da Petrobras;
  • Perfis de @jairbolsonaro, @cirogomes e @sf_moro ficam de fora dos principais grupos com maior engajamento no debate do Twitter.

A alta no preço dos combustíveis no Brasil tem tido forte repercussão nas redes sociais nos últimos dias. Entre 9 e 15 de março, foram registradas 1,05 milhão de menções ao tema no Twitter, segundo estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV DAPP). O momento de maior engajamento do debate aconteceu na sexta-feira (11), quando alcançou 367,6 mil tuítes, com postagens virais lamentando o aumento de 116% no preço da gasolina desde o início do atual governo. No dia anterior, a indignação dos usuários com a inércia da população brasileira diante dos reajustes também agitou a plataforma, gerando um pico de 198,5 mil postagens.

Evolução do debate sobre o preço dos combustíveis no Twitter
Período: de 09 a 15 de março

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

Mirando o presidente, a maioria dos perfis responsabiliza o governo federal pela situação, alegando que, antes da gestão atual, brasileiros detinham maior poder de compra, porque contavam com um salário mínimo mais valorizado e preços mais razoáveis ‒ tanto para gasolina e gás de cozinha como para produtos da cesta básica. Como hashtag mais usada no debate, #forabolsonaro aparece em 8,1 mil postagens na plataforma. Outro indexador de destaque é #tamuitocaro, em 7,6 mil tuítes, que acompanha postagens de Ciro Gomes e apoiadores com críticas ao governo federal pela alta dos combustíveis.

Twitter

Mapa de interações do debate sobre o preço dos combustíveis no Twitter
Período: de 09 a 15 de março

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

Vermelho ‒ 25,19% dos perfis | 33,73% das interações
Grupo mais numeroso liderado por políticos de esquerda, ativistas políticos, jornalistas e perfis de humor, o grupo compara a alta do preço dos combustíveis com circunstâncias passadas, tais como o valor da gasolina em gestões anteriores e reajustes de tarifas de transporte público. Postagens atribuem, ainda, a situação atual à privatização de distribuidoras.

Azul ‒ 16,29% dos perfis | 23,91% das interações
Grupo que conta com políticos conservadores, jornalistas e empresários da base de apoio do governo federal destaca ações da Presidência para tentar frear o aumento do preço dos combustíveis e critica a postura de governos estaduais, que atuariam supostamente na contramão do Executivo. Há quem afirme, também, que a situação atual seria consequência de atos de corrupção em governos anteriores.

Rosa ‒ 6,42% dos perfis | 4,09% das interações
Com postagens virais, grupo de perfis de usuários comuns compartilha memes que comparam o gasto pessoal com gasolina com provas de amor e produtos populares. Algumas postagens cobram alguma reação dos brasileiros em respeito ao aumento da gasolina, evocando as manifestações populares que marcaram junho de 2013.

Laranja ‒ 5,57% dos perfis | 4,22% das interações
Com pesquisadores, ativistas políticos e blogueiros, o grupo manifesta indignação em relação à alta do preço dos combustíveis, lamentando o impacto do aumento no cotidiano dos brasileiros. Além disso, perfis ironizam posturas liberais, alegando que defensores dessa agenda não deveriam reclamar da situação.

Verde ‒ 5,44% dos perfis | 3,98% das interações
Grupo com influenciadores digitais, pesquisadores e blogueiros mapeia o preço da gasolina em diferentes regiões do país, comparando o valor com o poder de compra dos brasileiros ‒ inclusive, em governos anteriores. Ressaltando o episódio, algumas postagem reiteram a importância do voto nas eleições deste ano.

Amarelo ‒ 4,51% dos perfis | 2,96% das interações
Destacando o impacto da alta dos combustíveis, grupo de perfis de usuários comuns manifesta pessimismo em relação ao preço da gasolina e as possibilidades relativas a isso no futuro. Postagens também cobram alguma atitude da população, mirando sobretudo o governo federal.

Roxo ‒ 4,33% dos perfis | 2,9% das interações
No contexto da alta dos combustíveis, grupo composto por perfis de usuários comuns orbita uma postagem viral que classifica, em tom de ironia, uma carona como sendo demonstração de amor.

Principais tuítes dos grupos no mapa de interações
Período: de 09 a 15 de março

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

Evolução de temas com menções aos presidenciáveis no Twitter
Período total: de 02 a 15 de março | Período de análise: 09 a 15 de março

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

  • No debate sobre as eleições de 2022, o tema economia apresentou pico acentuado de menções em 11 de março, dia seguinte ao anúncio do aumento de preço dos combustíveis. Destacam-se tuítes de perfis alinhados aos presidenciáveis Lula, Ciro Gomes e Sergio Moro.
  • O aumento do preço dos combustíveis gerou uma onda de críticas ao governo, que a partir do dia 12 de março passou a também contar com tuítes isolados de perfis bolsonaristas, que repercutiram propostas e iniciativas governamentais no âmbito tributário, para tentar conter a escalada de preços.
  • O aumento também alavancou as menções ao tema infraestrutura, a partir de um debate sobre o papel da Petrobras nesse tema. Destacaram-se tuítes que criticaram a política de preços adotada desde a entrada de Michel Temer (MDB) à presidência, em 2016. Há uma disputa entre os partidários de Ciro Gomes e Lula sobre qual dos presidenciáveis trouxe esse tema ao debate público primeiro, no contexto das eleições de 2022.

Volume e variação de menções a temas no debate sobre eleições 2022
Período: de 09 a 15 de março | Comparação com 02 a 08 de março

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

  • A economia assumiu a liderança entre os temas mais mencionados no debate eleitoral, ultrapassando o debate sobre segurança.
  • O tema infraestrutura apresentou o maior variação em relação aos sete dias anteriores, crescendo em mais de 200%. A associação entre o aumento de preço dos combustíveis e o debate sobre infraestrutura mostra que o reajuste foi incorporado ao debate político de modo imediato, se enquadrando em uma crítica à gestão, estratégia e papel da Petrobras em relação ao Estado Brasileiro.
  • Interessante notar, também, que o aumento de menções em infraestrutura também marca uma mudança de posicionamento entre as visões predominantes neste tema, que até então vinha sendo dominado por perfis governistas que repercutiam inaugurações de obras – em especial na região Nordeste.

Volume de interações das principais notícias sobre o preço dos combustíveis
Período: de 09 a 15 de março

Fonte: Twitter e Facebook | Elaboração: FGV DAPP

Dentre os quinze links com maior engajamento no Facebook e no Twitter ‒ entre curtidas, comentários e compartilhamentos ‒, destacam-se notícias de canais da imprensa tradicional, que trazem detalhes sobre os reajustes nos valores dos combustíveis e sobre como alguns brasileiros têm buscado contornar a situação. Além dessas, quase metade dos links são de portais de notícia alternativos, que informam sobre medidas do governo federal para frear a alta dos preços e oferecem explicações para colocar na conta de gestões anteriores ou de governos estaduais a atual crise dos combustíveis no país.

 

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