08 jun

Medidas para conter preços alavancam debate sobre inflação e combustíveis ao maior nível desde maio

Atualizado em 13 de junho, 2022 às 12:03 pm

  • Debates sobre inflação e combustíveis apresentam alta associação no período;
  • A base de apoio de Bolsonaro culpa a Petrobras, em alinhamento à pauta a favor da privatização.

O anúncio de medidas para a contenção no preço de combustíveis pelo presidente Jair Bolsonaro alavancou o debate sobre o tema, com mais de 132 mil menções entre os dias 06 e 07 de junho. É o que mostra levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV DAPP), que, entre 1º de maio e 07 de junho, analisou a evolução de menções dos debates sobre inflação, combustíveis e privatizações. O pico gerado pelo anúncio também alavancou o debate sobre inflação e superou, com distância, o aumento no debate ocorrido no dia 12 de maio, quando o IBGE anunciou o índice de inflação.

Evolução de temas econômicos no debate sobre eleições no Twitter
Período: de 1º de maio a 7 de junho | Agregado por dia

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

  • A divulgação de lucros recordes da Petrobras, no primeiro trimestre deste ano, gerou indignação com os reajustes dos combustíveis e as políticas de preços da estatal, observada no pico do dia 6 de maio. Embora o presidente Bolsonaro durante a transmissão de sua live (05), tenha apelado para que não houvesse novos reajustes, muitas postagens culpam o presidente pela má gestão que impactam na inflação. Apoiadores do presidente culpam a Petrobrás pela baixa econômica e incentivam sua privatização;
  • Enquanto críticos do presidente destacam os preços abusivos dos combustíveis e uma possível correção com a volta do ex-presidente Lula, apoiadores de Bolsonaro culpam a Petrobrás e encaram os reajustes como manobra para derrubar o presidente. Além disso, a suspensão de decretos do presidente por ministros do Supremo também é apontada como responsável pela inflação;
  • A declaração do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de que não haveria momento para pautar a privatização da Petrobras no Congresso gerou forte mobilização sobre o tema no dia 12 de maio. O posicionamento do senador desagradou tanto a ala governista, favorável à privatização, quanto a grupos de oposição, que veem na declaração um pretexto para o presidente Jair Bolsonaro seguir alegando que não conseguiria governar em função de impasses entre os poderes;
  • O dia 12 de maio também foi marcado por grande agitação em torno do tema da inflação, com a notícia de que o fenômeno já teria chegado a 12% neste ano e atingido diversos produtos. Enquanto apoiadores do governo defendem que o aumento dos preços seria um fenômeno global, devido à pandemia e à guerra na Ucrânia, opiniões críticas a Bolsonaro atribuem o problema à gestão econômica atual;
  • O anúncio de Jair Bolsonaro de propostas para controlar as recentes altas no preço da gasolina e do gás de cozinha, entre outros, em 7 de junho, aqueceu o debate sobre combustíveis e inflação no Twitter. Exaltando a iniciativa, a ala governista destaca a decisão do presidente de arcar com o impacto que a proposta teria sobre as contas dos governos estaduais. Já grupos de oposição interpretam a atitude como eleitoreira, visto que teria demorado mais de ano para ser providenciada pelo mandatário.