30 jun

Inelegibilidade de Bolsonaro é celebrada por campo progressista e apoiadores do ex-presidente perdem força nas redes

Atualizado em 5 de julho, 2023 às 12:07 pm

  • Enquanto o grupo de apoio a Bolsonaro perde espaço no Twitter, campo progressista soma cerca de 51,5% dos perfis e 59,6% das interações, comemorando a inelegibilidade do ex-presidente;
  • No Facebook, a atuação de parlamentares governistas consegue dominar o debate. Base aliada a Bolsonaro critica decisão, mas não se destaca, demonstrando falta de articulação na plataforma;
  • Apoiadores de Bolsonaro reforçam narrativa de perseguição política e “cassação” de milhões de votos, reiterando apoio ao ex-presidente.

A decisão do TSE de tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível foi recebida com forte tom de comemoração em redes como Facebook e Twitter. Dominado pelo campo progressista, o debate contou com a participação de parlamentares governistas, páginas de entretenimento, influenciadores, artistas e cidadãos comuns. O grupo aliado ao ex-presidente, por sua vez, atuou de modo bastante secundário na discussão. É o que mostra levantamento da Escola de Comunicação, Mídia e Informação da FGV, que analisou postagens sobre o tema no Twitter e Facebook até às 14h do dia 30 de junho de 2023. Em rápida modificação de forças em comparação com o debate mapeado em 29 de junho, contas que celebraram a inelegibilidade consolidaram-se como maioria vitoriosa também nas redes, com uma redução significativa da presença de bolsonaristas no debate. Padrão semelhante foi identificado no Facebook, predominância de parlamentares governistas entre os principais posts da plataforma.

 

Twitter

Mapa de interações no debate sobre julgamento de Bolsonaro no Twitter
Período: 30 de junho, até às 14h | 197,3 mil postagens

Fonte: Twitter | Elaboração: Escola de Comunicação, Mídia e Informação da FGV

 

Laranja – 21,2% perfis | 30,1% interações
Cluster de maior relevância no debate, composto, sobretudo, por parlamentares de esquerda, como @samiabomfim, @GuilhermeBoulos e @gleisi, mas também por ativistas, jornalistas e páginas políticas, como @GugaNoblat e @slpng_giants_pt. O grupo comemorou a decisão do TSE pela inelegibilidade de Bolsonaro e reforçou o caráter histórico da votação. A defesa de que este é apenas o começo de uma série de derrotas políticas de Bolsonaro também foi observada nos tuítes de destaque do cluster, circulando hashtags como #Bolsonaroinelegivelepreso.

Azul – 13,6% perfis | 13,2% interações
Segundo maior grupo do debate e o único protagonizado por apoiadores de Jair Bolsonaro, o conjunto é formado por perfis variados, abrangendo influenciadores, veículos hiperpartidários de mídia e políticos. Nesse sentido, contas como @taoquei1, @caroldetoni e @jornaldacidadeo noticiam e comentam a declaração de inelegibilidade após a formação de maioria com o voto de Cármen Lúcia. Entre frequentes reiterações de apoio a Bolsonaro, que se tornaria “mártir” a partir do resultado, as considerações apontam que o julgamento foi político e que Bolsonaro estaria condenado desde o princípio, consolidando assim uma alegada trajetória de perseguição e vingança de Lula, do sistema político e do poder judiciário. Além disso, fala-se em “cassação” e “silêncio” do voto de milhões de brasileiros, com menções negativas a casos como a recente declaração de Lula sobre o conceito de democracia e a elegibilidade de Dilma Rousseff. Perfis como @josemedeirosmt, @brom_elisa, @plnacional_ e @zambelli2210 também compõem o conjunto.

Rosa – 7,2% perfis | 7,3% interações
Páginas de entretenimento, perfis de influenciadores e artistas formam a maioria deste cluster, que comemora a inelegibilidade de Bolsonaro. Nesse sentido, enquanto páginas como @Choquei e @HugoGloss acompanharam a votação, noticiando os seus desdobramentos ao longo das horas e repercutindo a decisão final em tom de urgência. Perfis de influenciadores e artistas defenderam que a inelegibilidade do ex-presidente seria uma resposta justa ao suposto mal que seu governo fez ao Brasil. Aqui, nota-se a circulação de tuítes que, emocionados, relembram feitos dos 4 anos de Bolsonaro na presidência, como as vidas perdidas para a pandemia de Covid-19 e os supostos esquemas de corrupção na compra de vacinas.

Lilás – 5,7% perfis | 6% interações
Em consonância ao cluster rosa, o grupo também tem como destaque a participação de influenciadores, como @felipeneto, e de artistas, como @leandraleal. Neste caso, as comemorações vieram acompanhadas de tuítes que simulam gritos de felicidade, a partir do uso de letras em caixa alta e de dezenas de pontos de exclamação em sequência. Utilizando ainda GIFs bem-humorados e emojis que simulam fogos de artifício, o grupo classificou o momento como um “grande dia” e um “dia de festa”. Também foram observados elogios à ministra Cármen Lúcia e ao simbolismo embutido no fato de uma mulher ter decidido a votação.

Rosa claro – 4,9% perfis | 4,5% interações
Centrado em torno da página de entretenimento @siteptbr, páginas semelhantes e perfis de influenciadores progressistas, a exemplo de @falamuka e @updatecharts, o conjunto comemora a declaração de inelegibilidade de Jair Bolsonaro após o voto de Cármen Lúcia. Em tom de celebração, o grupo reproduz o trecho do voto da ministra, faz destaques em letras maiúsculas, e utiliza emojis e memes em formato de GIFs.

Verde claro – 4,3% perfis | 4,4% interações
O deputado @AndreJanonesAdv lidera o cluster, que também tem como destaque o perfil ativista @jairmearrependi. Reforçando o tom de comemoração que dominou este debate no Twitter, o grupo se concentrou em direcionar críticas diretas ao ex-presidente Bolsonaro, chamando-o de “fascista”, “assassino da pandemia” e “bactéria da AMAN”. O cluster também acionou tuítes bem-humorados, que debocham do fato de Bolsonaro estar inelegível.

Amarelo – 4,1% perfis | 3,8% interações
Também celebrando a inelegibilidade de Bolsonaro, o grupo é composto por perfis contrários ao ex-presidente, mas que não necessariamente se alinham ao presidente Lula. Os perfis circulam memes de celebração e um vídeo da atual ministra Simone Tebet cantando a música “Tá na hora do Jair já ir embora”. O grupo também compartilha trecho da entrevista do ex-presidente, concedida após o fim do julgamento.

Vermelho – 4,1% perfis | 3,5% interações
Formado por perfis de apoio a Lula, como @nordeste131, e por páginas de fãs, como @veraholtzirreal, o cluster endossou o bom-humor supracitado, ao comemorar a inelegibilidade de Bolsonaro. Com uso recorrente de memes em formato de GIFs, o cluster destaca a decisão do TSE como uma “vitória” e uma “vingança” contra Bolsonaro.

 

Facebook

Evolução de menções no debate sobre julgamento de Bolsonaro no Facebook
Período: 30 de junho, até às 14h | 2.949 postagens

Fonte: Facebook | Elaboração: Escola de Comunicação, Mídia e Informação da FGV

 

 

Principais postagens sobre julgamento de Bolsonaro no Facebook
Período: 30 de junho, até às 15h | 2.949 postagens

  

Fonte: Facebook | Elaboração: Escola de Comunicação, Mídia e Informação da FGV

 

  • Com a decisão de inelegibilidade de Bolsonaro por maioria no TSE, o debate no Facebook refletiu comentários em tom de forte comemoração e elogios ao Tribunal. Dominado por atores políticos de esquerda, como Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), o tópico foi enquadrado enquanto uma vitória aguardada pelos brasileiros;
  • Figuras políticas de direita e que, outrora, foram aliadas de Bolsonaro, como Kim Kataguiri (UNIÃO-SP), também repercutiram a decisão. Ainda que sem comemorar diretamente o fato, também não houve tentativa de questionar os rumos da votação ou de defender Bolsonaro;
  • Já a base aliada ao ex-presidente se comportou de modo bastante tímido no Facebook, embora possa ser mapeada a participação de parlamentares, como Bia Kicis (PL-DF) e Carol de Toni (PL-SC), além de veículos de mídia, como O Antagonista. Entre estes, prevalece o argumento de que a Justiça Eleitoral estaria calando os 58 milhões de votos em Bolsonaro. Chamando o ex-presidente de “mártir injustiçado”, há a noção de que a inelegibilidade pode fortalecer Bolsonaro no futuro. No entanto, mesmo com estas tentativas de disputar o debate, o apoio ao ex-presidente não demonstra força significativa no Facebook.