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04 dez

#DebateEnRedes: O que se sabe sobre estas contas que influenciam a política argentina no Twitter

Por Ariel Riera, Celeste Gómez Wagner e Mariela García

Atualizado em 30 de dezembro, 2019 às 3:10 pm

Se você tiver apenas alguns segundos, leia estas linhas:

  • Na plataforma, há muitas vezes usuários sem nomes reconhecidos que criam polêmicas sobre questões políticas e se consideram autoridades graças ao número de retuítes que recebem.
  • O Chequeado conseguiu comunicar-se com vários deles. Muitos pediram para permanecer anônimos e deixaram claro que não receberam incentivos financeiros pelos tuítes.
  • Das contas que apoiam o governo, a que ganhou mais seguidores em 2019 foi @VivirPorBoca (240%). Entre as relacionadas com a Frente de Todos, @etupito cresceu 275%.

O Twitter é a quarta rede social mais popular do país (depois do WhatsApp, Facebook e Instagram). Segundo dados da consultora Carrier y Asociados publicados em agosto de 2019, 20% dos argentinos utilizam essa plataforma. Funcionários e jornalistas muitas vezes compartilham em seus tuítes ideias e informações, em geral, sobre questões políticas, econômicas e sociais do momento. É por isso que as mensagens são frequentemente utilizadas como fonte de informação.

O Chequeado analisou contas com grande influência (devido ao seu número de seguidores e ao número de retuítes) dentro do debate político no Twitter da Argentina, tanto a favor como contra o governo. Foram escolhidos usuários com influência na rede rastreados por este meio ou que aparecem frequentemente em outros estudos (como aqui e aqui).

Foram selecionados usuários que não são reconhecidos publicamente fora da rede. Por esta razão, foram excluídos funcionários e jornalistas como Gustavo Sylvestre, Juan Amorín e Mariana Moyano (da comunidade próxima ao kirchnerismo); e Eduardo Feinmann, Gabriel Levinas ou Ignacio Montes de Oca (da comunidade vinculada ao Cambiemos).

Este meio de comunicação registrou – através do Trendsmap – como os seus seguidores variaram no último ano, as palavras que mais usaram em seus tuítes e as contas que mais os retuitaram. Também observou quais foram seus primeiros tuítes para verificar se havia alguma variação no conteúdo sobre o qual falam, e tentou entrar em contato com cada um deles para conhecer outras características. Cinco das 10 contas contatadas responderam.

Das contas influentes associadas com a bolha próxima do Cambiemos, destacam-se:

Lautaro Román Lorenzo (@lautiroman1995)

O usuário @lautiroman1995, com 289.701 seguidores, é gerenciado por alguém chamado Lautaro Lorenzo. Consultado por este meio de comunicação, ele disse ter 24 anos, ser de Florencio Varela, e ter começado a se interessar por política estudando jornalismo: “Toda vez que eu tinha que fazer um programa de televisão ou rádio ou escrever um gráfico, eu escolhia a política.

Ativo no Twitter desde outubro de 2010, Lorenzo disse ao Chequeado que só começou a tuitar sobre política em 2014. Mas já no primeiro tuíte, publicado em 29 de dezembro de 2013, ele se mostrou crítico do kirchnerismo.

Em suas mensagens, uma das palavras que mais usou foi “macri” (3,7% dos tuítes de 2019). Ele disse estar indignado com “a duplicidade de critérios: o caso em que ‘se você faz isso, é errado’”; também “a falta de convicção”, “a ambição pelo poder”, “a corrupção, a impunidade e a lentidão da justiça”.

Como os outros usuários consultados, ele disse que não planeja as mensagens, mas tuita “de acordo com o que acontece no dia”. Ele acrescentou: “Enquanto publico informações, acrescento minha opinião”.

Ele também disse que não recebeu incentivos financeiros para tuítes sobre política, mas recebeu ofertas para tuítes sobre outros assuntos, como uma série de televisão.

Diego Álzaga Unzué (@AtlanticSurff)

A conta @AtlanticSurff é uma das contas que mais geram controvérsia. Com 138.158 seguidores (cresceu de 100 mil para 138 mil em um ano, ou seja, 38%), é apontada como uma conta falsa nos estudos acadêmicos. Seu nome poderia ser fictício, pois também foi noticiado que o modelo australiano Nick Youngquest o acusou de usar uma foto sua para o seu perfil.

Além disso, Gregorio Dalbón, um dos advogados da vice-presidente eleita Cristina Fernández de Kirchner, criticou-o no Twitter, chamando-o de “nhoque VIP do PRO [partido político argentino Proposta Republicana]” por ligá-lo ao Ministério dos Transportes. Também mostrou a foto de sua suposta identidade real com o nome “Octavio Paulisse” ou “Paulise”:

Em outubro de 2018, Graciela Camaño, deputada nacional pelo Consenso Federal, apresentou à Câmara de Deputados um relatório sobre o “Troll-Center da Cambiemos”, elaborado pela equipe do Frente Renovador (Frente de Renovação). No relatório, afirma que Paulise (com apenas um “s”) é “Gerente da mídia social de Guillermo Dietrich” e que ele cobra “52 mil pesos do Ministério dos Transportes por um convênio com a Agência de Segurança Rodoviária”. Aponta para a mesma reportagem que espalha notícias falsas, extorque celebridades e usurpa outras identidades no Twitter, como a da jornalista Magdalena Ruiz Guiñazú.

A @AtlanticSurff entrou em contato com o Chequeado e negou que Paulise, que afirmou ter falecido, tivesse algo a ver com a conta. Mencionou nunca tê-lo conhecido pessoalmente, que seu nome era Diego, e que tinha começado a tuitar sobre o Big Brother antes de se envolver na política. Em julho, o jornalista Fabián Doman leu uma mensagem no programa Intratables que atribuiu à Casa Rosada, afirmando que Paulise tinha morrido de câncer. Seus críticos afirmam que outra pessoa assumiu a conta após a morte (por exemplo, veja aqui e aqui).

Este ano, as palavras mais usadas por @AtlanticSurff foram “cfk” (15,9%), “kirchnerismo” (12,5%) e “macri” (12%); e o usuário que mais compartilhou seus tuítes foi @PaisPPT (21,8%), uma conta que está atualmente suspensa.

Atendedor (@Hellr00t)

O usuário @Hellr00t, conhecido como “Atendedor”, tem 71.516 seguidores e foi ativado em setembro de 2010. Ele garantiu a este meio de comunicação que tem 28 anos e vive em Buenos Aires. O nome “vem de um apelido que era usado nos antigos chats do IRC”, explicou ele em referência ao Internet Relay Chat, o protocolo que permitia conversas entre vários usuários em salas de bate-papo e agora é usado, por exemplo, em jogos online.

@Hellr00t entrou no Twitter em 2010, mas seu primeiro tuíte visível é de 2012. Perguntado sobre isso, ele disse ao Chequeado que teve que “apagar os primeiros tuítes porque as regras do Twitter estavam mudando”, e acrescentou: “Meus primeiros tuítes não eram, digamos, muito adequados para as regras atuais”.

Entre as 5 palavras mais usadas em seus tuítes este ano, destacam-se “macri” (5,4%), cristina (4,5%) e kirchnerismo (3,7%). Sobre isso, ele enfatizou que critica a ex-presidente “desde que eu me lembro”. O seu primeiro tuíte visível com críticas a Fernández de Kirchner data de 2013.

Questionado sobre o conteúdo que publica, “Atendedor” esclareceu que não planeja as mensagens e que escreve o que pensa ou vem à mente “no momento”. “Na verdade, se eu deixar passar esse momento, acabo por não tuitar nada. Posso passar meses sem tuitar”, disse ele.

Finalmente, ele pediu total anonimato (ele nem sequer quis divulgar as iniciais do seu nome) e esclareceu que nunca recebeu incentivo financeiro para direcionar o conteúdo de suas mensagens.

Alejandro Collareda (@ElCoya1977)

Lançada em dezembro de 2015, a conta @elcoya1977 tem atualmente 50.382 seguidores, que aumentaram de 36 mil para 50 mil no último ano (39%). Depois de várias indagações, em maio de 2018 ele mesmo confirmou no Twitter que seu nome é Alejandro Collareda.

Além disso, em setembro, ele respondeu ao economista Guillermo Nielsen: “E aí, Guillermo. Me chamo Alejandro Collareda. 41 anos. Casado. 2 filhas. Tenho dois empregos. E no meu tempo livre, luto para garantir que pessoas como você nunca mais ocupem cargos públicos. Saudações”.

Observou-se que desde o início ele lançou tuítes políticos, por exemplo, com críticas a Daniel Scioli, ex-governador de Buenos Aires pela Frente para la Victoria (Frente para a Vitória). Entre as palavras que mais usou no Twitter este ano, destaca-se “Kirchnerismo” (6,5%), seguido de outras como “dia” (10,9%), “todos” (10,8%) e “obrigado” (8%). A conta que mais o retuitou em 2019 foi a de Carolina Piparo (@CarolinaPiparo), deputada de Buenos Aires pela Cambiemos.
Por outro lado, a reportagem “Trolls e ataques à livre expressão de jornalistas e defensores dos direitos humanos no Twitter da Argentina”, realizada pela Anistia Internacional, sugere que @ElCoya1977 é uma conta influenciadora “do oficialismo” que, além de ser uma autoridade, é uma conta que permite “agressões contra aqueles que diferem da linha oficial e lubrificam o contato entre as contas pertencentes a trolls ou bots e o resto da comunidade”. O Chequeado também tentou o contato, mas sem resposta.

Ulises Chaparro (@VivirPorBoca)

O usuário Ulises Chaparro (@VivirPorBoca) possui 17.201 seguidores, que aumentaram de 5 mil a 17 mil em um ano (240%). Sua conta está ativa desde fevereiro de 2013. Em 2019, a palavra que mais usou em seus tuítes foi “macri” (7,1% dos seus tuítes).

Chaparro disse ao Chequeado que tem 21 anos e mora na Grande Buenos Aires. Ele disse que não planeja os tuítes: “Aprendi que os melhores tuítes, aqueles que têm mais impacto, são aqueles que saem espontaneamente, num momento de raiva ou com alguma situação do momento”. Além disso, ele disse ter recebido “incentivos econômicos para tuitar (não especificamente sobre política), mas sobre outros assuntos”.

As contas com mais interações que normalmente aparecem nas bolhas próximas ao Kirchnerismo são:

Periodista de Perón (@periodistaperon)

Com 86.951 seguidores (aumentou 10 mil seguidores em 2019), a conta @periodistaperon pertence ao site periodistadeperon.com, que se define como um “espaço de comunicação popular”, uma plataforma de comunicação digital “feita de trabalho duro, que usa a web e as redes sociais para compartilhar notícias, ideias e pontos de vista geralmente silenciados pela mídia hegemônica”.

Segundo o site, Horacio Torres (@Horacio246) é seu diretor, e um dos usuários que mais frequentemente retuitaram as mensagens de @periodistaperon. Quando consultado, ele preferiu não responder perguntas.

Em 2019, “macri” (14,3%) e “governo” (8,2%) foram algumas das palavras que mais se destacaram em seus tuítes.

TuiteroK (@CadaVezMasK)

A conta Tuitero K tem 57.401 seguidores até o dia de hoje (aumentou 7 mil em 2019). O usuário, que não quis dizer seu nome e pediu a este meio de comunicação para chamá-lo de “A”, disse que tem 42 anos e vive no sul da província de Córdoba.

“Como tenho uma posição política tomada, coloquei um nome que marca claramente essa posição”, disse ele. Ele utiliza a rede social desde abril de 2011 e permaneceu inativo até meados de 2012.

“Comecei a dar a minha opinião sobre política durante o auge dos programas de rádio e televisão que insultavam o governo anterior. Eu precisava desabafar o que considerava, e considero, mentiras ou meias verdades”, acrescentou ele.

Em 2019, “macri” (3,2%) e “governo” (3%) foram algumas das palavras que ele mais usou em seus tuítes. Sobre isso, “A” esclareceu que ele escreve o que quer e, em muitas oportunidades, é motivado pelos tópicos que lê na sua linha do tempo. “Estou indignado com a consolidação de uma história (a instalação da pós-verdade) através do uso de posições dominantes dos meios de comunicação”, ele enfatizou.

Como afirmado pelos outros usuários consultados, Tuitero K afirmou: “Eu nunca recebi nenhum incentivo financeiro. Eu nunca venderia a minha opinião. O que eu gosto, eu apoio, ponto final”.

Silvita (@cynsiempre)

A conta @CyNSiempre tem hoje 57.280 seguidores, que foram diminuindo durante o ano. Ativa desde setembro de 2013, o primeiro tuíte data do dia 7 desse mês, devido à suspensão da conta @CFKyNKeternos.

De acordo com o Trendsmap, as palavras mais usadas em seus tuítes durante o ano foram “governo” (5,2%), “macri” (5%) e “contra” (3,1%). No mesmo período, o jornalista Juan Alonso (@jotaalonso) foi o que mais retuitou @CyNSiempre. O Chequeado entrou em contato e não obteve resposta.

Tupito (@etupito)

Tupito se apresenta como uma “domadora de trolls” e tem 45.423 seguidores, acumulados desde abril de 2014. Aumentou de 12 mil para 45 mil seguidores em um ano, ou 275%. O primeiro tuíte data de 16 de julho de 2018, quando ela disse ao usuário antiperonista e apoiador do Cambiemos @CordobaRoca para se despedir de sua conta. Uma das palavras que mais se destacaram nos seus tuítes de 2019 foi “macri” (6,9%). O Chequeado também tentou contato, mas sem sucesso.

Sustrato Peronista (@juan_dpdp)

A conta @juan_dpdp chama-se “Sustrato Peronista”, entrou no Twitter em Agosto de 2012 e tem 43.520 seguidores até hoje. O seu primeiro tuíte visível é uma resposta que não está explicitamente relacionada com a política, mas mostra o insulto como uma forma de comentar que depois se repete (por exemplo, veja aqui).

Entre as palavras que mais se destacaram em 2019 em seus tuítes foram “macri” (6,6%) e “governo” (5,5%). Por outro lado, a conta que mais compartilhou seu conteúdo foi @eldestapeweb, usuário oficial da mídia eldestapeweb.com, liderada pelo jornalista Roberto Navarro.

Esta conta teve grande repercussão com um tuíte sobre uma suposta mulher que os carabineros (instituição de polícia ostensiva do Chile) fizeram desaparecer no Chile, Carolina Muñoz Manguello, o que se mostrou falso. De acordo com El Polígrafo, a iniciativa de verificação de fatos do jornal El Mercurio, não existe nenhuma pessoa com esse nome no país. A pessoa que os carabineros colocam no veículo no vídeo é, na verdade, um jovem chamado Alejandro Muñoz Aguayo (o tuíte mencionava que “Alejandro Muñoz Manguello” era o pai da vítima), que foi libertado horas depois, como confirmado em um vídeo publicado pelo Diario Concepción do Chile. O Chequeado também tentou contatá-lo, mas ele não respondeu.

Em resumo, as contas que foram analisadas nos permitem ver que, como diz Ernesto Calvo, professor de Ciências Políticas da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, em seu livro Anatomía política de Twitter en Argentina (Anatomia política do Twitter na Argentina), publicado em 2015, embora as redes democratizem o acesso e a difusão da informação, nem todos os usuários têm o mesmo peso. Quanto mais seguidores uma conta tem, maior a possibilidade de amplificar as mensagens que compartilha e de formar comunidades ou bolhas que coincidam com a sua posição.

Atualização 6/12/2019:

Após a publicação da nota, o título foi alterado, pois havia gerado confusão. Na versão original citava-se “os ‘influencers’ da política argentina”. O termo “influencer” é usado na ferramenta Trendsmap para mostrar quais contas estão envolvidas no debate sobre um determinado tema (por exemplo, política) e têm o maior número de seguidores. Os usuários escolhidos também aparecem nos estudos da rede como influenciando a conversa no Twitter. Por sua vez, o termo “troll” refere-se a alguém que, por dinheiro ou não, está focado em assediar, criticar ou antagonizar de forma provocadora e depreciativa. No entanto, a mesma pessoa ou conta pode se comportar dessa maneira por alguns momentos e depois tuitar sobre outras questões. Também não estamos falando de contas anônimas, já que nos 10 casos tratados não há necessariamente identidades falsas.

O artigo dizia originalmente que a conta @Atlanticsurff não tinha respondido às perguntas, o que ocorreu após a publicação. Por esse motivo, linhas sobre o assunto foram acrescentadas.

*A Sala de Democracia Digital é uma ação da FGV DAPP, em parceria com Chequeado, na Argentina, Linterna Verde, na Colômbia e Ojo Público, no Peru. Nós monitoramos o debate público nas redes sociais pela América Latina.

A análise original está disponível no site do Chequeado aqui.