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06 jan

#DebateEnRedes: Com quase 14 milhões de tuítes em todo o mundo, os usuários opinaram sobre a crise entre os EUA e o Irã

Por Celeste Gómez Wagner e Mariela García

Atualizado em 23 de janeiro, 2020 às 10:57 am

Se você tiver apenas alguns segundos, leia estas linhas:

  • A nível global e local, destacou-se a hashtag “#WWIII”.
  • Das quatro mensagens mais compartilhadas, três foram piadas. Na Argentina, esta tendência se repetiu.
  • Os países onde o tema foi mais tuitado foram os Estados Unidos, França e Brasil.

Na noite de quinta-feira, 2 de janeiro, informações começaram a ser compartilhadas no Twitter sobre um evento que colocaria a política internacional e, mais ainda, o conflito no Oriente Médio, em primeiro plano. Os usuários mencionavam o ataque com drone ordenado pelos EUA a um carro nas proximidades do aeroporto iraquiano de Bagdá, que matou o general e chefe da inteligência iraniana Qassem Soleimani.

O Chequeado registrou – via Trendsmap – o impacto deste tópico no Twitter ao redor do mundo. Ao contrário de outras análises, neste caso foram incluídos na pesquisa tanto termos em inglês como em espanhol. De quinta-feira, 2 de janeiro às 17h, até segunda-feira, 6 de janeiro às 10h, foram registradas 13.782.000 mensagens, das quais 43% foram publicadas nos Estados Unidos, 10% na França e 7% no Brasil. Chegaram a ser compartilhados 13.800 tuítes por minuto.

Fonte: elaborado pelo Chequeado com base nas interações do Twitter.

Fiel ao seu estilo, Donald Trump usou sua conta no Twitter para confirmar a posição dos Estados Unidos. Na sexta-feira passada ele publicou um tuíte com a imagem da bandeira do seu país sem nenhum texto. Foi lido como uma confirmação do fato e foi a mensagem mais respondida no período analisado. No dia 3 de janeiro, o presidente foi mais explícito e disse: “O General Qassem Soleimani matou ou feriu gravemente milhares de americanos por muito tempo, e conspirava para matar muitos mais … mas ele foi pego!”.

Durante o fim de semana, as ameaças entre Washington e Teerã continuaram. Hossein Dehghan, conselheiro militar do líder religioso iraniano Ali Khamenei, advertiu que em resposta à morte de Soleimani, sítios militares dos EUA no local seriam atacados (veja aqui) e Trump retuitou de sua conta no Twitter com uma sequência que dizia que os Estados Unidos têm 52 lugares iranianos em sua mira, “alguns com um nível importante para o Irã e sua cultura” que poderiam ser atacados de maneira “muito rápida e muito forte”.

No mundo, destacou-se a associação do conflito com uma possível terceira guerra mundial. As cinco hashtags mais utilizadas foram “#WWIII” (32,7%), “#WorldWar3” (6,1%), “#Iran” (2,4%), “#WorldWarThree” (1,4%) e “#Soleimani” (1,3%). Já a palavra mais repetida nas mensagens foi “Soleimani” (38%), seguida de “Trump” (30%).

Além disso, o humor também esteve presente nas narrativas que circularam na rede. Das quatro mensagens mais compartilhadas no Twitter, uma foi oficial e as demais tiveram tom humorístico e foram acompanhadas de vídeos.

A primeira do ranking foi publicada pelo usuário @BronAndBrow, que conta com 5 mil seguidores e atividade desde 2012. A conta se referiu à seleção dos soldados com mais pontaria para uma possível terceira guerra mundial, e acrescentou o vídeo de uma pessoa errando várias bolas em uma cesta de basquete, em relação à sua suposta atitude durante os testes de seleção.

Os outros dois tuítes humorísticos vêm de contas que afirmam explicitamente que estão nos Estados Unidos. Por um lado, em terceiro lugar em quantidade de compartilhamentos, houve uma gravação de uma pessoa saindo de um caixão e começando a dançar a coreografia do vídeo Thriller de Michael Jackson. “Enviam meu corpo de volta para os Estados Unidos depois de fingir minha morte #WWIII”, acrescentou @akaRJaay. Na quarta mensagem, @Iam_Dreamzz compartilhou um vídeo editado de uma prática policial na qual um membro não consegue atirar algo parecido com uma granada, que fica a centímetros de distância da sua equipe. “Eu na minha primeira missão na Terceira Guerra Mundial #WWIII”, brincou ele. O usuário tem 322 seguidores e na sua localização diz: “Possibly Iran, very soon” [Possivelmente Irã, muito em breve].

A mensagem oficial que integra o ranking dos tuítes mais compartilhados ficou em segundo lugar e foi publicada pelo Secretário de Estado norte-americano, Michael Pompeo (@SecPompeo), na madrugada de 3 de janeiro. A partir de sua conta verificada, ele compartilhou um vídeo de um grupo de iraquianos e mencionou: “[eles estão] dançando nas ruas em busca de liberdade; em agradecimento pelo General Soleimani não estar mais lá. Teve mais de 60 mil retuítes e quase 185 mil curtidas.

Na França, as quatro contas mais influentes sobre o assunto (variável medida em relação ao número de seguidores) foram os meios de comunicação: Le Monde, AFP (Agence France-Presse), France 24 e 20 Minutes. O presidente francês Emmanuel Macron declarou-se alinhado com os Estados Unidos e mostrou “sua preocupação com as atividades desestabilizadoras da força Al Quds sob a autoridade do general Qassem Soleimani”, e tuitou sobre o assunto. É importante esclarecer que nenhum termo ou hashtag em francês foi incluído para este estudo, portanto mais tuítes podem ter sido publicados do que os referidos neste relatório.

No caso do Brasil, a hashtag “#BolsonaroFicaCalado” foi um trending topic. Os usuários a incluíram para pedir ao presidente brasileiro que não se pronunciasse sobre o conflito. No entanto, em uma entrevista por telefone com o Brasil Urgente, Jair Bolsonaro disse sobre Soleimani: “Ele se concentrou principalmente no terrorismo. E nós, aqui no Brasil, nossa posição é muito simples: tudo o que pudermos fazer para combater o terrorismo, nós faremos”. Nesta análise, o Chequeado registrou que a hashtag mencionada chegou a ser a sexta mais utilizada no mundo (foi incluída em 1,2% dos tuítes).

Conversa na Argentina

A Argentina não se isentou da preocupação com a tensão internacional. O Ministro de Relações Exteriores, Felipe Solá, usou sua conta no Twitter para se referir ao tema. Ele disse que o governo argentino está observando a situação no Oriente Médio “com grande preocupação” e pediu aos países em conflito que “façam um esforço para conter a tensão” e busquem uma “solução pacífica”.

O mesmo foi oficialmente declarado pelo Ministério das Relações Exteriores. Por meio de um comunicado, enfatizou a vontade de privilegiar “o caminho da negociação e da diplomacia para a solução de conflitos”. Da mesma forma, durante o fim de semana, soube-se que o presidente Alberto Fernández ordenou a proteção das instalações diplomáticas e companhias aéreas dos EUA na Argentina.

O Chequeado registrou que a crise entre os EUA e o Irã motivou 196.700 tuítes na Argentina, de quinta-feira 2 de janeiro, às 17h, até segunda-feira, 6 de janeiro, às 10h. O pico de interações foi gerado às 15h de sexta-feira, 3 de Janeiro. As palavras mais usadas nas mensagens foram “Soleimani” (34%), “guerra” (31%), “Trump” (30%), “Irã” (25%) e “EUA” (17%). Quase 40% dos tuítes da Argentina foram acompanhados pela hashtag “#WWIII”, em linha com o que aconteceu ao redor do mundo.

A mensagem mais citada na Argentina foi o tuíte de Trump com a bandeira dos Estados Unidos e, como nos resultados detectados a nível global, as piadas estavam entre as mais retuitadas.

Por exemplo, o tuíte mais compartilhado pertence ao usuário Iván Nicolás (@ihasen), um fotógrafo de Paraná (na Argentina) que tem 299 seguidores e está na rede social desde fevereiro de 2012. Em sua publicação, ele lembrou o resultado da partida em que a Argentina venceu o Irã na fase de grupos da Copa do Mundo de 2014 por 1×0 e disse: “Ah, não! Espero que não se lembrem”. Obteve quase 5.500 retuítes. A conta @Eliasocampo01 (ativa no Twitter desde 2018) postou a segunda mensagem mais retuitada: compartilhou o vídeo do cantor Mala Fama pedindo para separar duas pessoas que estavam brigando durante as comemorações da posse de Fernández na Plaza de Mayo. Ele editou: “Argentina tentando separar Irã e EUA #3raguerramundial” e conseguiu 2.806 retuítes.

*A Sala de Democracia Digital é uma ação da FGV DAPP, em parceria com Chequeado, na Argentina, Linterna Verde, na Colômbia e Ojo Público, no Peru. Nós monitoramos o debate público nas redes sociais pela América Latina.

A análise original está disponível no site do Chequeado aqui.