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03 jan

#DebateEnRedes: a série “caso #Nisman” reavivou a discussão no Twitter sobre a causa de sua morte

Por Ariel Riera, Celeste Gómez Wagner e Mariela García

Atualizado em 23 de janeiro, 2020 às 10:57 am

Se você tiver apenas alguns segundos, leia estas linhas:

  • A estreia do documentário na Netflix gerou 58.500 mensagens em apenas 24 horas.
  • A palavra “Alberto” foi registrada em 10% dos tuítes compartilhados sobre este tópico. Ocorreu por causa do posicionamento de Fernández sobre o caso em 2017, que foi incluído no documentário.
  • As duas mensagens mais retuitadas foram publicadas por @atlanticsurff e @VivirPorBoca, contas muito ativas próximas à Juntos por el Cambio (Juntos pela Mudança).

No primeiro dia do ano, a plataforma de streaming Netflix lançou um documentário sobre o “caso Nisman”. Chama-se “El fiscal, la presidenta y el espía” (O promotor, a presidente e o espião); foi feito pelo jornalista inglês Justin Webster e tem seis capítulos. Na madrugada de segunda-feira, 19 de janeiro de 2015, o promotor Alberto Nisman foi encontrado morto em seu apartamento em Puerto Madero com um tiro na cabeça. Naquele dia, ele deveria comparecer ao Congresso para explicar sua acusação de encobrir o ataque da AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina) à então presidente Cristina Fernández de Kirchner e ao chanceler Héctor Timerman.

O “caso Nisman” tomou conta da mídia e incluiu opiniões de espiões e acusações cruzadas entre o kirchnerismo e a oposição, que estavam debatendo teorias sobre se o caso se tratou de um homicídio ou de um suicídio.

O Chequeado analisou a repercussão recente que este tema teve no Twitter desde quarta-feira, 1º de janeiro às 8h (dia do lançamento do documentário), até 24 horas depois. Foram compartilhadas 58.500 mensagens ligadas ao documentário e a Nisman, das quais 82% foram retuítes.

Interações no Twitter sobre a série de #Nisman

Nota elaborada a partir de dados obtidos através do Trendsmap nas interações do Twitter, de 1º de janeiro às 8h até 2 de janeiro no mesmo horário.

Das hashtags mais usadas na conversa, destacou-se “#nisman” (13,2%). Em uma porcentagem muito menor, a próxima hashtag no ranking foi “#18EconNismanNo” (“18 de janeiro com Nisman, não”, com 2%), hashtag com a qual se convoca um comício na Plaza del Vaticano em 18 de janeiro, cinco anos após a morte do promotor, para “defender a investigação e a perícia” (ver aqui e aqui).

Seguiu-se “#netflix” (1,3%), que também foi incluída como palavra em 22% dos tuítes; e “#renunciafrancisco” (“renuncia, Francisco”, com 0,7%) e “#popefrancisresign” (0,6%). Estas últimas hashtags englobaram o tema aqui discutido com outros como a difusão de um vídeo em que uma mulher tenta apertar a mão do Papa Francisco na Praça de São Pedro e o pontífice reage batendo a mão duas vezes para que ela o solte (por exemplo, veja aqui ou aqui). É comum que no Twitter alguns usuários usem mais de uma hashtag para ter um maior alcance em suas mensagens.

Além disso, 10% das mensagens continham o nome “Alberto”. Vale mencionar que em um dos capítulos da série, o atual presidente Alberto Fernández afirma: “Até hoje duvido que ele tenha cometido suicídio”. A sua participação no documentário foi gravada em 2017. Em entrevista à Rádio 10 no dia 2 de janeiro, o presidente disse que, desde 2017, “não veio à tona uma única prova séria que diga que Nisman foi morto”, mas que “veio à tona uma prova absurda que contradiz os princípios mais elementares da criminologia mundial”, em relação ao relatório da Gendarmaria.

As duas mensagens mais compartilhadas foram publicadas por contas muito ativas próximas à Juntos por el Cambio. A primeira foi lançada pelo usuário @atlanticsurff. Ele disse: “Assisti o documentário de Nisman. Saibam que as pernas de um suicida nunca ficam estendidas, pois é a primeira coisa que se dobra por carregar o seu próprio peso morto sobre elas. Como estavam as pernas de Nisman? Estendidas. Somos governados por uma máfia. Fim”. Ele recebeu 6 mil retuítes e mais de 20 mil curtidas.

Seguiu-se o tuíte compartilhado por Ulises Chaparro (@VivirporBoca). Ele disse: “Sou o único que está catatônico vendo o documentário de Nisman na Netflix? Ainda não entendo como podem ter votado nesse bando de assassinos de novo. Porque isso é o que eles são: assassinos”. Obteve 3.300 compartilhamentos e 10.400 curtidas.

Por outro lado, a conta mais ativa (em citações, respostas e retuítes) foi a do jornalista e advogado Pablo Duggan (@pabloduggan), autor do livro “¿Quién mató a Nisman?” (“Quem Matou Nisman?”, 2018), no qual ele defende a teoria do suicídio. Entre 1 e 2 de Janeiro, o jornalista publicou cerca de 50 tuítes e retuítes ligados ao caso Nisman e ao lançamento do documentário.

Na verdade, se olharmos para a forma como os usuários se relacionaram uns com os outros, podemos ver interações separadas entre aqueles que acreditam que Nisman cometeu suicídio e aqueles que afirmam que ele foi assassinado. Em relação ao primeiro grupo, houve uma comunidade liderada principalmente por Duggan. Em relação à segunda postura, houve duas bolhas diferentes, mas próximas: de um lado, os usuários que comentaram em torno das contas ligadas à Juntos por el Cambio, como @atlanticsurff e @VivirporBoca; do outro, a conta mais influente foi a do jornalista Luis Gasulla.

Fonte: elaborado pelo Chequeado com base em dados de interações do Twitter.

Uma quarta comunidade, um pouco mais próxima da bolha liderada por Duggan, se localizou em torno da conta @teloresumo, que publicou o tuíte com mais respostas e o terceiro mais retuitado no período analisado. Disse em tom humorístico: “O contra documentário do caso Nisman está chegando, onde vão mostrar tudo, com muita verdade, sem mentiras”, e conseguiu 2.500 retuítes e quase 20 mil curtidas. O comentário se referia ao vídeo de uma mulher na marcha organizada em 2017 para pedir esclarecimentos sobre a morte do promotor, quando ela disse essas frases que se tornaram virais. A conta @teloresumo foi a terceira mais mencionada na Argentina em 2019, de acordo com as próprias estatísticas do Twitter.

As discussões online sobre Nisman não são novidade. Em 2015, Ernesto Calvo, professor associado de Ciência Política da Universidade de Maryland, analisou as interações sobre o tema e concluiu que “as comunidades de interesse que tuitam e retuitam o caso #Nisman estão intimamente ligadas a comunidades políticas consolidadas, a partidos políticos e seus eleitores, a jornalistas reconhecidos, a meios de comunicação em massa, a operadores políticos e blogueiros profissionais” que “pensam da mesma forma [e] retuitam juntos” (veja aqui).

Discussão de Jornalistas no canal Todo Noticias (TN)

Por ocasião da estreia do documentário e da posterior reativação do debate sobre o assassinato ou suicídio de Nisman, a jornalista Lorena Maciel foi tendência no Twitter da Argentina, devido ao debate de opiniões que realizou no canal Todo Noticias (TN) com seu colega Adrián Ventura, a quem também se juntou Guillermo Lobo.

Num diálogo com Lobo, Ventura disse que Nisman “apareceu suicidado” antes de ir ao Congresso e enfatizou: “Quando eu digo ‘apareceu suicidado’, quero dizer de propósito”. Maciel observou que a perícia “do Tribunal” sustentava que “tudo apontava para o fato de ele ter tirado a sua própria vida” e que “não havia elementos para pensar que se tratava de um assassinato”. E acrescentou: “Nem você, nem Guille, nem eu somos juízes para dizer ‘Nisman cometeu suicídio’ ou ‘Nisman foi morto’”. O contraponto continuou mais alguns minutos até Lobo encerrar a discussão.

De acordo com o Trendsmap, a discussão gerou 6.600 tuítes das 10h30 às 17h00 de hoje. A mensagem mais retuitada foi uma crítica a Maciel feita pelo usuário @vascoechaza1, que tem mais de 6 mil seguidores e que em sua biografia indica: “O comunismo e suas variantes são rejeitados em todo o planeta, o capitalismo é o sistema predominante, porque os indivíduos não são altruístas por natureza”.

Em seu tuíte, ele considerou que Maciel “acabou de espremer Ventura ao vivo” e que “não é à toa que o marido da apresentadora [referindo-se ao jornalista Gerardo “Tato” Young, autor de livros sobre os serviços de inteligência do país] continua dizendo que foi um suicídio”, entre outras coisas. Obteve 522 compartilhamentos e 742 curtidas. Seguiu-se um tuíte de Duggan, no qual ele disse: “O quilombo armou-se no TN com o documentário de Nisman. Há muitos que já não acreditam nas mentiras!!!”.

*A Sala de Democracia Digital é uma ação da FGV DAPP, em parceria com Chequeado, na Argentina, Linterna Verde, na Colômbia e Ojo Público, no Peru. Nós monitoramos o debate público nas redes sociais pela América Latina.

A análise original está disponível no site do Chequeado aqui.