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Debate econômico nas redes tem auxílio-emergencial e privatização do SUS em evidência

Atualizado em 16 de novembro, 2020 às 5:31 pm

  • No Twitter, 340 mil menções a assuntos econômicos foram identificadas nas cinco capitais monitoradas entre 15 de outubro e 04 de novembro. Proposta do governo federal de cessão de serviços básicos de saúde à iniciativa privada é foco de críticas em todas as capitais, assim como referências ao auxílio emergencial;
  • Em São Paulo, relações comerciais com a China (e com a compra da Coronavac) têm destaque, enquanto, no Rio de Janeiro, investimentos públicos e combate à corrupção organizam a pauta propositiva dos candidatos. Crivella busca associar a defesa de valores conservadores com a promoção de políticas de assistencialismo municipal
  • No Instagram e no Facebook, pauta econômica é amplamente polarizada por candidatos à direita e à esquerda, principalmente em São Paulo, com antagonismo entre Guilherme Boulos e Arthur do Val. Em Fortaleza, contudo, o principal engajador do assunto é Celio Studart. Em Recife, Marília Arraes e João Campos apostam em abordagens diferentes de investimento econômico municipal, enquanto, em Salvador, Bruno Reis apresenta propostas de investimento em infraestrutura e logística urbana para a geração de empregos;

A agenda econômica para as eleições municipais, em equivalência ao que se observa no debate geral sobre as disputas em capitais do país, mantém relação de dependência com o contexto nacional e com políticas públicas do governo federal para o enfrentamento da pandemia. As provisões e pacotes de apoio à população despontam como protagonistas nas cinco capitais monitoradas pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas, assim como a ampla rejeição ao projeto — já descartado — de concessão de unidades de saúde à iniciativa privada, batizado na web de “privatização do SUS”. Por isso, mesmo agendas de amplo interesse para populações locais, como orçamento público, investimentos e geração de empregos acabam em segundo plano.

No Twitter, o debate econômico vinculado às eleições e à Covid-19 somou 340 mil menções entre 15 de outubro e 04 de novembro, somadas referências em Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Fortaleza. Nas capitais do Nordeste, o auxílio-emergencial desempenha papel predominante, e apenas em São Paulo a gestão privada do sistema público de saúde não consta entre os cinco principais subtemas econômicos — é na capital paulista, ainda, que a agenda econômica nacional desempenha papel mais significativo, com menções à China como as de maior volume, organizadas a partir do investimento em vacinas do país e do cenário geral de relações comerciais com o país.

 

No Rio de Janeiro, a gestão de contas públicas desponta como foco de preocupações e críticas por parte da população e de grupos partidários de diferentes bases políticas, sobretudo a partir de denúncias de corrupção e referências à queda de investimentos na cidade, exploradas pelos candidatos a prefeito com melhores números nas pesquisas de opinião. A geração de empregos também desempenha papel importante, assim como em São Paulo, onde há ainda forte impacto de menções negativas sobre privilégios e remuneração de setores do funcionalismo público, em especial o Judiciário (sob competência estadual e federal).

Já o aumento inflacionário de alimentos da cesta básica, que há meses perpassa a discussão de economia no país, adquire sobretudo importância para o debate em Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza, enquanto em Salvador há notável cobrança por investimentos em educação pública. A abertura ou inexistência de crédito e financiamentos para empresas e cidadãos tem destaque nas 3 capitais do Nordeste pesquisadas, embora seja pouco abordada por candidatos no Twitter. Também em Recife críticas ao baixo poder de compra do salário mínimo são fortes, e nas capitais, de forma geral, há forte correlação dos subtemas de economia com a alta cotação do dólar e com a lenta retomada do país frente à pandemia.

No Facebook e no Instagram, candidatos à direita e à esquerda têm destaque no debate econômico

A campanha digital voltada à retomada econômica no Facebook e no Instagram, ao contrário do Twitter, adquire explícita polarização entre candidatos à direita e à esquerda, com defesas de projetos expansivos de investimentos e mudanças na gestão pública das cidades. Em São Paulo, por exemplo, Guilherme Boulos e Arthur do Val, que investem maciçamente em engajamento eleitoral, apresentam propostas diametralmente opostas, com ampla vantagem de impacto em relação aos adversários: Boulos, à esquerda, aposta em contestar o cenário político nacional e em projetos de expansão do investimento público em diferentes setores; Arthur do Val, com orientação liberal, questiona gastos políticos e com a máquina pública e em oposição a impostos, em fortalecimento de uma agenda de austeridade.

Engajamento digital dos candidatos a prefeito em São Paulo e Rio de Janeiro
Data de análise: 15 de outubro a 04 de novembro

No Rio de Janeiro, a busca de associação entre Marcelo Crivella e o governo federal é, da mesma forma, expansiva para a ênfase econômica do atual prefeito, que debate mudanças na gestão financeira para a adoção de auxílios populares frente aos investimentos no carnaval da cidade, mesclando a pauta de economia com a “preservação de valores familiares”. Já Martha Rocha, que no debate econômico iguala-se em impacto digital a Eduardo Paes, dedica maior esforço à promoção de uma nova gestão transparente na cidade, contrapondo os problemas de investimento municipal com os casos de corrupção no município e no estado.

 

Engajamento digital dos candidatos a prefeito em Fortaleza, Recife e Salvador
Data de análise: 15 de outubro a 04 de novembro

Nas capitais do Nordeste, a polarização persiste, embora, em Fortaleza, o principal agregador de interações sobre discussões econômicas seja Celio Studart, de aderência sobretudo a questões de preservação ambiental. O candidato relaciona o combate à Covid-19 diretamente com a recuperação econômica local, com críticas a aglomerações e ações ineficientes de redução da pandemia e de retomada do comércio. Em Salvador, Bruno Reis obtém amplo destaque no Instagram, com abordagem expressiva de investimentos em logística, estrutura urbana e ampliação de financiamento público, sob o argumento da geração de empregos na cidade — o candidato tem visão municipalizada sobre a política econômica, em contraste com outras candidaturas não apenas na capital baiana, mas nos demais municípios.

Em Recife, o embate entre João Campos e Marília Arraes é reproduzido na disputa por impacto nas duas plataformas, com a Delegada Patrícia em expressiva presença no Facebook ao abordar a agenda econômica. A candidata à direita igualmente destaca o combate à corrupção e ao mau uso de verbas públicas, com a promessa de auditoria nas contas municipais, o apoio a pequenos empreendedores e a reprodução de políticas do governo federal para suporte à capital pernambucana. Enquanto isso, à esquerda, Marília Arraes dá ênfase à informalidade e à recuperação do poder de compra da população, principalmente em periferias; João Campos tem posição mais abrangente, com a promessa de melhores serviços de proteção social e de mitigação dos efeitos negativos da pandemia para a geração de renda na cidade.

A FGV DAPP está monitorando o debate público nas redes sobre as eleições municipais de 2020 em parceria com o Valor Econômico. Confira a íntegra dos conteúdos aqui.

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