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Centro vira opção em eleições municipais com forte presença da esquerda no Twitter

Atualizado em 27 de novembro, 2020 às 6:24 pm

  • Em São Paulo, frente em apoio a Guilherme Boulos representa 62,8% das interações, enquanto aliados de Bolsonaro somam 26% e apoiadores de Covas, apenas 5,3%;
  • No Rio de Janeiro, centro e esquerda se unem à campanha de Paes contra Marcelo Crivella, que apela a narrativas semelhantes às utilizadas no pleito presidencial de 2018;
  • Em Porto Alegre, Manuela D´Ávila é mencionada em 81,5% dos tuítes sobre o segundo turno, enquanto Sebastião Melo é citado em apenas 10,7%;
  • Em Recife, a campanha de Marília Arraes predomina entre os tuítes com mais interações, mas denúncias contra o aliado Túlio Gadelha intensificam atividade pró João Campos.

A cinco dias do segundo turno das eleições municipais de 2020, um monitoramento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV DAPP) identificou cerca de 1,7 milhão de tuítes sobre as disputas para a prefeitura de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife entre 0h do dia 16 e 12h de 25 de novembro.

Os quatro estados apresentam contextos distintos em relação às pesquisas de intenção de voto e forças políticas envolvidas, sendo possível fazer uma distinção entre campanhas que o debate nacional entre campos da esquerda e direita se tornaram principal motor para o debate (Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre) e a campanha de Recife que, disputadas por candidatos entre a esquerda e a centro esquerda, estrutura-se majoritariamente em pautas municipais. As candidaturas de centro aparecem como opções contra a reorganização da esquerda, em Porto Alegre e São Paulo, e o campo mais alinhado à direita, ligado a Bolsonaro, no Rio de Janeiro – mas a mobilização digital da esquerda aponta viés de crescimento.

Com debate mais nacionalizado, disputa em São Paulo reúne esperança da esquerda e ofensiva de aliados do governo

O debate sobre a disputa para a prefeitura de São Paulo reuniu mais de 1,1 milhão de tuítes e se apresentou de modo polarizado, com dois grupos reunindo a maior parte das interações e outros três conjuntos menores ao redor do grupo em apoio a Guilherme Boulos (PSOL).

O principal conjunto em apoio à candidatura de Guilherme Boulos (Vermelho) reuniu 42,2% dos perfis e 51,9% das interações de todo o debate. Com forte presença de políticos de diferentes partidos, como Sâmia Bomfim e Ivan Valente (PSOL), Fernando Haddad, Lula e Eduardo Suplicy (PT), Flávio Dino (PCdoB) e Marina Silva (Rede), e influenciadores digitais e celebridades, como Felipe Neto, Jones Manoel e Xico Sá, esse grupo foi marcado por tuítes que declaram apoio à eleição do candidato do PSOL e que celebraram o crescimento de Boulos nas pesquisa de intenção de voto para o segundo turno, mobilizados em torno das hashtags #boulos50 e #virasp50.

Mapa de interações sobre a eleição para a prefeitura de São Paulo
De 0h de 16 novembro às 12h 25 de novembro

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

Os conjuntos Lilás e Laranja, que somaram 18,6% dos perfis e 10,9% das interações, repercutiram narrativas complementares ao principal conjunto pró-Boulos. O primeiro, foi formado por perfis de influenciadores com pouca relação com a política institucional, que fizeram postagens humorísticas em apoio à eleição de Guilherme Boulos. Entres eles, destacam-se @romulocarvalho_, @arianedocarmo e @luide, em posts que brincaram com a combinação gastronômica dos nomes de Eduardo Paes e Guilherme Boulos; com a possibilidade de votar no candidato do PSOL mesmo morando em outros municípios; e com as acusações de que a gestão de Boulos poderia levar a um colapso econômico de São Paulo – a partir de comparações com o grau de conhecimento sobre o tema por parte de integrantes do governo Bolsonaro. Já o segundo foi formado por perfis engajados na causa LGBTQI+ que celebraram o aumento de representatividade em câmaras de vereadores de diferentes municípios do país, em especial a eleição da trans Erika Hilton (PSOL), em São Paulo. Entre os perfis envolvidos destacam-se os influenciadores e ativistas da causa LGBTIQI+ @alinadurso, @matheus, @agathagouveaa e @tdetravesti, que também repercutiram a eleição de Duda Salabert e Linda Brasil para as Câmaras de Belo Horizonte e Aracajú, respectivamente.

O grupo azul foi formado por perfis ligados ao governo federal e reuniu 19,5% dos perfis e 26,0% das interações. Este grupo foi marcado pela propaganda negativa contra Guilherme Boulos, enquadrando a eleição de São Paulo não como uma disputa entre o PSDB e o PSOL, mas como um embate entre o ressurgimento da esquerda e a nova direita ligada ao presidente Bolsonaro. Os perfis ligados ao governo federal, se dividiram entre disseminar fake news contra Boulos e lamentar que um representante da esquerda tenha alcançado o segundo turno em São Paulo. No primeiro grupo, destaca-se o influenciador de direita Oswaldo Eustáquio, que sofreu retaliações judiciais após divulgar uma informação falsa contra Guilherme Boulos. Estabeleceu-se um debate sobre censura, autoritarismo e conluio entre o sistema de justiça e os partidos de esquerda, engajando perfis como a deputada federal Bia Kicis e a influenciadora “Te atualizei”. Já o segundo se estrutura em torno do Assessor Especial para Assuntos Internacionais da presidência, Filipe Martins, que propôs ações para ampliar o rechaço à esquerda para além do PT.

Por fim, com 6,7% dos perfis e 5,3% das interações, encontra-se o grupo Rosa, que se estruturou em defesa da eleição de Bruno Covas para a prefeitura de São Paulo. Entre os principais perfis, destacam-se políticos como o deputado estadual Arthur Moledo do Val, o vereador Fernando Holiday e o deputado federal Kim Kataguiri (DEM); e influenciadores liberais como Felippe Hermes, Ítalo Petraglia e Pedro Menezes. Em destaque, apontamentos sobre a inexperiência administrativa de Boulos em comparação a Covas e tuítes sobre o suposto caos econômico que a gestão do PSOL poderia trazer para a cidade de São Paulo.

Evolução do debate sobre as eleições para a prefeitura de São Paulo
De 0h de 16 novembro às 12h 25 de novembro

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

Durante o período analisado é possível identificar que após os primeiros dias, em que diversos perfis de atores políticos e influenciadores declaram apoio aos candidatos, houve uma queda substantiva no debate, que passou a oscilar abaixo das 120 mil menções por dia. Apenas no dia 24 de novembro observou-se um aumento no debate originado pela repercussão da divulgação de uma pesquisa do DataFolha, em que foi identificado a diminuição da vantagem de Bruno Covas sobre Boulos, e da participação dos dois candidatos no programa de entrevistas Roda Viva.

No Rio de Janeiro, debate cai significativamente e fake news torna esquerda protagonista na oposição a Crivella

No Rio de Janeiro, o debate sobre a prefeitura apresentou queda expressiva já a partir do dia 17 de novembro, somando, ao todo, 274,5 mil tuítes. Os dias 16 e 17 de novembro acumularam quase metade das interações em todo o período, que ainda apresentou queda a partir do dia 21, passando a oscilar por volta de 10 mil menções ao dia.

Evolução do debate sobre as eleições para a prefeitura do Rio de Janeiro
De 0h de 16 novembro às 12h 25 de novembro

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

O pico observado no dia 16 de novembro foi composto majoritariamente por mensagens que lamentaram a ida do atual prefeito, Marcelo Crivella, para o segundo turno. Entre os conteúdos, destacaram-se memes e piadas sobre as opções de voto da população carioca, com ênfase nos nomes mais votado para a Câmara de Vereadores. Alguns perfis recordaram a forte presença de milícias na cidade, celebrando o enfraquecimento de Marcelo Crivella e justificando a presença de nomes ligados a Bolsonaro com destaque na Câmara dos Vereadores.

Com larga vantagem nas pesquisa de intenção de voto, Eduardo Paes passou a ser atacado por meio de duas narrativas principais: a primeira o associa ao ex-governador Sérgio Cabral, à Lava Jato e ao ex-presidente Lula, destacando escândalos de corrupção que ocorreram em sua gestão e a possibilidade de novas operações policiais contra o ex-prefeito; já a segunda enfocou em uma informação, sem embasamento, de que o PSOL teria um acordo com Paes para controlar a Secretaria de Educação do município. Conduzida, principalmente, pelos deputados federais Otoni de Paula (PSC-RJ) e Márcio Labre (PSL-RJ), a suposta denúncia relacionou o PSOL a um projeto de sexualização infantil e pedofilia, nos moldes da discussão sobre o Kit-Gay, ocorrida no pleito presidencial de 2018. Uma terceira narrativa levantou a possibilidade de um novo fechamento total do comércio para o caso da não-reeleição do prefeito.

Essa denúncia fez com que políticos e influenciadores de esquerda se engajassem intensamente na campanha contra o atual prefeito, tornando-os a principal força de oposição neste segundo turno.

Em Porto Alegre, debate se organiza entre apoiadores e detratores de Manuela D’Ávila

Entre 16 e 24 de novembro, o debate para a prefeitura de Porto Alegre somou 169,4 mil menções no Twitter. Assim como no Rio de Janeiro e São Paulo, o debate apresentou queda ao longo do segundo turno, ainda que de modo mais suavizado. Nos dois primeiros dias após o primeiro turno, observou-se tuítes de políticos e influenciadores manifestando apoio à eleição de Manuela D’Ávila (PCdoB), em uma frente semelhante à formada em torno do candidato Guilherme Boulos.

Evolução do debate sobre as eleições para a prefeitura de Porto Alegre
De 0h de 16 novembro às 12h 25 de novembro

A candidata do PCdoB surge como principal figura do debate, com 81,5% das menções, enquanto o candidato Sebastião Melo (MDB) é mencionado em apenas 10,7% das postagens. Se nos primeiros dias as menções à Manuela foram majoritariamente de apoio, a partir do dia 20 de novembro observou-se a inclusão de narrativas contrárias à candidata disseminadas por influenciadores conservadores, como Guilherme Fiuza, Alan Lopes e Oswaldo Eustáquio. As críticas levantaram suspeitas sobre supostos partidarismo do TSE após um encontro entre Manuela e o presidente do órgão, Luís Roberto Barroso, e criticaram o tuíte de Manuela convocando protestos no supermercado Carrefour, após o assassinato de um homem negro em uma unidade da rede em Porto Alegre.

Disputa entre esquerda e centro-esquerda faz de Recife a capital com debate mais local

Diferente do observado nas outras capitais, em que houve queda ao longo do segundo turno, o debate sobre as eleições para a prefeitura de Recife apresentou aumento significativo nos dias 23 e 24 de novembro. Foram identificados mais de 116 mil tuítes sobre o pleito, que apresentou discussão menos centrada na polarização entre esquerda e direita do que em outros estados.

Evolução do debate sobre as eleições para a prefeitura de Recife
De 0h de 16 novembro às 12h 25 de novembro

Fonte: Twitter | Elaboração: FGV DAPP

A rede de apoio à Marília Arraes (PT) se mostrou mais presente na rede, sendo predominante entre os tuítes com mais interações. O perfil da própria Marília aparece como um dos protagonistas do debate, sendo acompanhado por outras lideranças de esquerda de todo o Brasil e também por artistas e influenciadores locais com forte influência nos estratos mais jovens da população, como cantores e páginas dedicadas ao Brega e Brega Funk. O pico de menções nos dias 23 e 24 se refere à atividade de perfis em apoio à candidata do PT, com críticas à campanha de João Campos (PSB), após a circulação de um panfleto em que são feitas acusações de cunho moral contra Marília.

Os perfis que apoiam a campanha de João Campos, por sua vez, ampliaram a presença nas redes com críticas ao deputado federal – e apoiador de Marília Arraes – Túlio Gadelha (PDT-PE), que no dia 22 de novembro denunciou que a campanha de Campos o teria procurado para “comprar seu silêncio” no segundo turno. No dia 24, as críticas se ampliaram após a divulgação de um áudio em que Gadelha supostamente recomenda que Marília faça uso da prática de “rachadinha” em sua campanha.

 

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